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mariana

04 de Outubro, 2023

Autobiografia Não Autorizada - Dulce Maria Cardoso

mariana

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“Precisei de anos para perceber que estar desatenta é estar também desarmada, e que isso é mau. Precisei de décadas para perceber que estar desatenta é estar também desarmada, e que isso é bom.”

Foi este o parágrafo que me fez dobrar uma ponta de página ao fim de duas pequenas folhas desde o início do livro, batendo, assim, todos os recordes de dobrar páginas da minha vida.

Foi assim que percebi que ia ser uma daquelas leituras que se fazem devagar, devagarinho, para que dure o máximo de tempo possível – do género de amor de verão, que bate muito e acaba depressa.

A primeira palavra que me vem à cabeça quando penso neste livro é honestidade. A escritora abre as portas da sua vida de forma tão bonita, crua e corajosa, com desabafos que sabem a um abracinho aconchegante, que assumem a forma de “eu senti isto. eu sei que não é um sentimento racional, nem razoável, mas é o que é”, e que nos tranquilizam o coração.

O livro reúne crónicas sobre a vida amorosa da escritora, a sua infância, sobre a altura do COVID e, em geral, episódios aleatórios – alguns extraordinários, outros horríveis – que moldaram a forma como olha o mundo e que se foram passando nos seus quase 60 anos.

Estive a folhear para tentar escolher as minhas crónicas favoritas e pensei que seria uma tarefa impossível, mas seguem as favoritas mais favoritas:

- beijos, joelhos e desconhecidos (p. 43)

- o amigo genial (p. 47)

- mudar de vida (p. 93)

- a vida anormal (p. 117)

- setembro, setembro, setembro (p. 163)

- esperar (p. 199)

- um sítio sem linguagem nem ruas (p. 219)

Com o fim do ano a chegar, esta autobiografia não autorizada entra assim, sorrateiramente, no top 5 de 2023 e ACABEI DE DESCOBRIR QUE SAIU UMA SEQUELA EM SETEMBRO E É POR ISTO QUE EU AMO A TINTA-DA-CHINA

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